Friday, February 25, 2011

PIB per capita X Reservas

Ao contrário do que as teorias sobre maldições de recursos naturais sugerem, existe uma forte correlação positiva entre o valor de reservas de petróleo e gás natural per capita e o nível da PIB per capita (vide gráfico abaixo com dados de renda per capita PPP do IMF/WEO e reservas de petróleo e gás da British Petroleum, para países com mais de 200 barris de petróleo equivalente per capita em 1990).

É interessante notar quem está acima e abaixo da linha de regressão.

The current account behavior of oil exporters

My paper - with Rudolfs Bems - on precautionary savings and the current account behavior of exporters of exhaustible resources was accepted yesterday for the Journal of International Economics.

The Current Account and Precautionary Savings for Exporters of Exhaustible Resources (with Rudolfs Bems).
2009. IMF Working Paper 09/33 (that is the updated version, presented at Oxford Centre for the Analysis of Resource Rich Economies 4th Annual Conference, September 15-16 2010). The final version, available upon request, is forthcoming at the Journal of International Economics.  
Exporters of exhaustible resources have historically exhibited higher income volatility than other economies, suggesting a heightened role for precautionary savings. This paper uses a parameterized small open economy model to quantify the role of precautionary savings in economies with exhaustible resources, when the only source of uncertainty is the price of the exhaustible resource. Results show that the precautionary motive can generate sizable external sector savings. When aggregated over the sample countries, precautionary savings in 2006 add up to 3.2 percent of GDP. The quantitative importance of the precautionary motive varies considerably across the sample countries and is driven primarily by the weight of exhaustible resource revenues in future income. The parameterized model fares well at capturing current account balances in both cross-section and time-series data.

Friday, February 18, 2011

A duradoura abertura brasileira ao investimento direto estrangeiro

Desde o Plano Real e a presidência de FHC, houve uma abertura da conta de capitais no Brasil que, apesar da retórica de alguns políticos, não foi revertida durante os 8 anos do governo Lula.

Abaixo, vocês podem ver a série de investimento estrangeiro direto como fração do PIB no Brasil – dados trimestrais, dessazonalizados, do banco de dados IFS (usando o PIB em USD do World Economic Outlook):


É difícil ser mais eloqüente que este gráfico que mostra o colapso do IDE durante os anos 80, sua retomada depois do Plano Real, seu pico coincidindo com o período das privatizações e sua estabilização a um nível superior aos níveis pré-Plano Real desde 2002.

Vejamos agora nosso vizinho do Norte:

Saturday, February 12, 2011

Estou lendo agora...

The Cold War: A New History, por John Lewis Gaddis
The Cold War: A New History

 



Livro muito bem escrito, sem grandes surpresas para quem gosta de ler sobre este assunto, mas impressionante pela capacidade de sintese do autor.

Wednesday, February 9, 2011

Conselhos para jovens acadêmicos

1. A comunidade acadêmica é pequena nos EUA, minúscula no Brasil. Todos se conhecem, ninguém esquece.

2. Convites para dar parecer para revistas acadêmicas não devem ser recusados.

3. Exceções para o item 2 se aplicam se: (1) você já é um pesquisador estabelecido como estrela em seu campo de atuação; (2) você já desempenha outra tarefa para a revista que o convidou; ou (3) se o tema do artigo for completamente fora de sua área de especialização.

4. Responda seus e-mails prontamente. Cumpra seus prazos religiosamente. Ver item 1.

5. Se você realmente domina o seu campo de atuação, na maior parte dos casos, não vai precisar mais do que umas poucas horas de trabalho para preparar 2-3 páginas de comentários. Se receber a oportunidade, demonstre aos editores da revista que você realmente domina seu campo de atuação entregando seu parecer em menos do que 72 horas.

6. Nunca é demais repetir: A comunidade acadêmica é pequena nos EUA, minúscula no Brasil. Todos se conhecem, ninguém esquece.

Saturday, February 5, 2011

O mito da estagnação pós-reformas

Já faz um tempo que eu escrevi com o Marcos Chamon um artigo argumentando que problemas no cálculo dos índices de preço são exacerbados após episódios em que existe mudança estrutural como as reformas liberalizantes no Brasil da década de 90, portanto causando um viés para baixo nas medidas de crescimento da renda real.

Por exemplo, em períodos de liberalização econômica, novos bens são introduzidos com mais intensidade do que em outros tempos, portanto os pesos do índice de preços ao consumidor (IPC) ficariam defasados mais rapidamente.

Também é o caso que muitos bens introduzidos pela primeira vez não fazem parte do IPC, somente sendo introduzidos depois que seus preços caíram (exemplo: computadores só entraram no IPC do Brasil depois da segunda metade dos anos 90).

Leia o artigo. Agora. Sim, isso mesmo.

Apresentamos este artigo em vários seminários e depois incorporamos uma análise similar para o México.

Semana passada, depois de mais uma revisão a pedido de pareceristas, nós fechamos uma nova versão do artigo com os resultados para o Brasil e o México e ‘publicamos’ no MPRA: “The myth of post-reform income stagnation: Evidence from Brazil and Mexico.” 

Resumo:
Economic policies are often judged by a handful of statistics, some of which may be biased during periods of change. We estimate the income growth implied by the evolution of food demand and durable goods ownership in post-reform Brazil and Mexico, and find that changes in consumption patterns are inconsistent with official estimates of near stagnant incomes. That is attributed to biases in the price deflator. The estimated unmeasured income gains are higher for poorer households, implying marked reductions in “real” inequality. These findings challenge the conventional wisdom that post-reform income growth was low and did not benefit the poor.

Wednesday, February 2, 2011

Jogo dos erros: Egito

O Egito é um país pobre de recursos naturais, localizado em uma região estratégica, com alto desemprego e grande desigualdade. Correto?

Não! Apesar de ser um país de renda per capita mais baixa que o Brasil, o Egito tem índices de desigualdade significativamente mais baixos do que os nossos. O índice de GINI, que mede desigualdade e vai de 0 (total igualdade) a 1 (total desigualdade), era 0.55 para o Brasil em 2007 e 0.32 para o Egito em 2005 (Fonte: World Bank/WDI).

Mas o Egito padece de uma economia com falta de dinamismo, estagnada, diferente da economia brasileira! Correto?

Não! Vide o gráfico abaixo para o crescimento acumulado do PIB de 1979 a 2010 para o Egito e o Brasil. Não há duvida alguma que nos últimos 30 anos o PIB do Egito cresceu mais rápido que o brasileiro (Fonte: IMF/WEO de outubro de 2010).


Mais que isso: Enquanto o Brasil cresceu aproximadamente 4% ao ano nos últimos 8 anos, o Egito cresceu 5.3% no mesmo período (Fonte: IMF/WEO de outubro de 2010, dados preliminares para 2010).

UPDATE

Os dados per capita nao mudam a mensagem: