Saturday, February 5, 2011

O mito da estagnação pós-reformas

Já faz um tempo que eu escrevi com o Marcos Chamon um artigo argumentando que problemas no cálculo dos índices de preço são exacerbados após episódios em que existe mudança estrutural como as reformas liberalizantes no Brasil da década de 90, portanto causando um viés para baixo nas medidas de crescimento da renda real.

Por exemplo, em períodos de liberalização econômica, novos bens são introduzidos com mais intensidade do que em outros tempos, portanto os pesos do índice de preços ao consumidor (IPC) ficariam defasados mais rapidamente.

Também é o caso que muitos bens introduzidos pela primeira vez não fazem parte do IPC, somente sendo introduzidos depois que seus preços caíram (exemplo: computadores só entraram no IPC do Brasil depois da segunda metade dos anos 90).

Leia o artigo. Agora. Sim, isso mesmo.

Apresentamos este artigo em vários seminários e depois incorporamos uma análise similar para o México.

Semana passada, depois de mais uma revisão a pedido de pareceristas, nós fechamos uma nova versão do artigo com os resultados para o Brasil e o México e ‘publicamos’ no MPRA: “The myth of post-reform income stagnation: Evidence from Brazil and Mexico.” 

Resumo:
Economic policies are often judged by a handful of statistics, some of which may be biased during periods of change. We estimate the income growth implied by the evolution of food demand and durable goods ownership in post-reform Brazil and Mexico, and find that changes in consumption patterns are inconsistent with official estimates of near stagnant incomes. That is attributed to biases in the price deflator. The estimated unmeasured income gains are higher for poorer households, implying marked reductions in “real” inequality. These findings challenge the conventional wisdom that post-reform income growth was low and did not benefit the poor.

No comments:

Post a Comment