Friday, August 26, 2011

Antonio Barros de Castro e o Brasil de 1610

Eu nunca tive a oportunidade de conhecer o Antonio Barros de Castro. Li a Economia Brasileira em Marcha Forçada durante a graduação e lembro que gostei. Teria que ler de novo porque mal me lembro do que se trata, e não faço a mínima ideia do que esperar de uma segunda leitura depois de 20 anos.

Ao saber de seu falecimento - que desperdício! - encomendei o Marcha Forçada no empréstimo entre bibliotecas pelo Fundo e fui ao google scholar procurar por amostras de sua obra. Confesso que não me animei muito a ler os trabalhos mais recentes e não concordo com partes do argumento do artigo sobre o crescimento do Brasil em um mundo sino-cêntrico (em uma edição recente da Revista de Economia Política).

Mas encontrei uma pérola: seu artigo na PPE, "Brasil, 1610: mudanças técnicas e conflitos sociais". Neste artigo, ABC narra e documenta uma transformação tecnológica que reduziu o custo de operação de um engenho de cana de açúcar, durante as primeiras décadas do século XVII, que teria quebrado o monopólio natural dos engenhos movidos a força hidráulica, erodido o poder de barganha dos senhores de engenho, e reduzido a distância social e econômica entre os senhores de engenho e os lavradores (isto é, plantadores de cana, que em geral também possuíam escravos, mas não tinham o capital para adquirir um engenho). Poderia escrever mais sobre aquele artigo, mas acho que não faria mérito ao trabalho de Barros de Castro: portanto, leiam o original.

Tuesday, August 23, 2011

Artigo com o Leonardo Monasterio sobre colônias gaúchas publicado pelo RSUE

Nosso artigo sobre as consequências de longo-prazo do programa de colonização do Rio Grande do Sul  foi aceito para publicação pelo Regional Studies and Urban Economics.

Neste artigo, nós nos beneficiamos da pesquisa do Fernando Korndörfer, que compilou uma lista de colônias no Rio Grande do Sul, assim como da obra de autores como Jean Roche e Teodor Amstad, para identificar os municípios atuais que foram sedes de colônias de imigrantes subsidiadas pelas diferentes esferas do governo brasileiro.

Nós encontramos em geral que os municípios mais próximos das colônias subsidiadas, fundadas entre 1824 e a primeira guerra mundial, hoje em dia têm em geral melhores indicadores econômicos e sociais que os outros municípios do Rio Grande do Sul.

Quando tentamos explicar a causa deste melhor desempenho sócio-econômico, nós tentamos avaliar a importância de duas hipóteses não excludentes: colônias podem ter melhor performance porque tinham uma distribuição mais igualitária da terra ou porque os imigrantes tinham melhor capital humano que os outros habitantes do Rio Grande do Sul. A evidência, ainda que circunstancial, favorece a hipótese da importância da distribuição igualitária da terra.

No futuro seria interessante estender essa linha de pesquisa para outras regiões do Brasil: Existem outros experimentos de distribuição igualitária de terra no Brasil do século XIX? A colonização do estado do Espírito Santo parece ser um caso interessante a ser estudado no futuro.

Assim diz o resumo:

This paper studies the long-term consequences of the government-sponsored programs of European immigration to Southern Brazil before the Great War. We find that the municipalities closer to the original sites of nineteenth century government sponsored settlements (colônias) have higher per capita income, less poverty and dependence on Bolsa Família cash transfers, better health and education outcomes; and for the areas close to German colonies, also less inequality of income and educational outcomes than otherwise. Since that is a reduced form relationship, we then attempt to identify the relative importance of more egalitarian landholdings and higher initial human capital in determining those outcomes. Our findings are suggestive that more egalitarian land distribution played a more important role than higher initial human capital in achieving the good outcomes associated with closeness to a colônia.

Monday, August 1, 2011

Artigo sobre o mito da estagnação econômica pós-reforma aceito no JDE

Meu artigo com o Marcos Chamon sobre o viés nos indices de inflação durante períodos de reforma econômica no Brasil e no México, "The Myth of Post-Reform Income Stagnation: Evidence from Brazil and Mexico", foi aceito para publicação no Journal of Development Economics.

O resumo diz:

Economic policies are often judged by a handful of statistics, some of which may be biased during periods of change. We estimate the income growth implied by the evolution of food demand and durable good ownership in post-reform Brazil and Mexico, and find that changes in consumption patterns are inconsistent with official estimates of near stagnant incomes. That is attributed to biases in the price deflator. The estimated unmeasured income gains are higher for poorer households, implying marked reductions in “real” inequality. These findings challenge the conventional wisdom that post-reform income growth was low and did not benefit the poor.

Traduzindo: as reformas econômicas dos anos 90 no Brasil e México trouxeram mais benefícios aos consumidores do que podemos inferir a partir de estatísticas agregadas, que seriam viesadas. Tais benefícios foram ainda maiores para as famílias mais pobres.