Friday, August 26, 2011

Antonio Barros de Castro e o Brasil de 1610

Eu nunca tive a oportunidade de conhecer o Antonio Barros de Castro. Li a Economia Brasileira em Marcha Forçada durante a graduação e lembro que gostei. Teria que ler de novo porque mal me lembro do que se trata, e não faço a mínima ideia do que esperar de uma segunda leitura depois de 20 anos.

Ao saber de seu falecimento - que desperdício! - encomendei o Marcha Forçada no empréstimo entre bibliotecas pelo Fundo e fui ao google scholar procurar por amostras de sua obra. Confesso que não me animei muito a ler os trabalhos mais recentes e não concordo com partes do argumento do artigo sobre o crescimento do Brasil em um mundo sino-cêntrico (em uma edição recente da Revista de Economia Política).

Mas encontrei uma pérola: seu artigo na PPE, "Brasil, 1610: mudanças técnicas e conflitos sociais". Neste artigo, ABC narra e documenta uma transformação tecnológica que reduziu o custo de operação de um engenho de cana de açúcar, durante as primeiras décadas do século XVII, que teria quebrado o monopólio natural dos engenhos movidos a força hidráulica, erodido o poder de barganha dos senhores de engenho, e reduzido a distância social e econômica entre os senhores de engenho e os lavradores (isto é, plantadores de cana, que em geral também possuíam escravos, mas não tinham o capital para adquirir um engenho). Poderia escrever mais sobre aquele artigo, mas acho que não faria mérito ao trabalho de Barros de Castro: portanto, leiam o original.

1 comment:

  1. Gostei do que você disse:Li a Economia Brasileira em Marcha Forçada durante a graduação e lembro que gostei. Teria que ler de novo porque mal me lembro do que se trata, e não faço a mínima ideia do que esperar de uma segunda leitura depois de 20 anos.

    Também o li há tempos atrás e certamente não o lerei num futuro próximo. Estou lendo, em várias tentativas, outro livro de igual teor interpretativo: A Ordem do Progresso - Cem anos de Política Econômica Republicana 1889-1989. Me serve como exercício crítico e me faz ter entusiasmo para me engajar num projeto de pesquisa sobre a nossa história. Para não deixar dúvidas, digo claramente: o livro é completamente equivocado em toda a sua extensão (deixando os adjetivos para o momento certo).

    Espero sinceramente que releia o livro do Barros de Castro , em exercício crítico não apenas sobre o Brasil, mas principalmente sobre os brasileiros.

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