Saturday, December 26, 2015

Sobre a importância histórica do nosso Astromar


O Professor Belluzzo deve ser preservado. Sempre que leio seus artigos, a diversão é garantida.

Ele é uma relíquia do passado, uma caricatura risível do fidalgo ocioso e inútil que esgrime sua cultura rococó para se diferenciar da plebe. Suas citações e referências pseudo-intelectuais me remetem ao professor Astromar (personagem do Dias Gomes), o intelectual jeca amigo-do-Poder que com sua fala rebuscada e sem sentido intimida os cidadãos semi-analfabetos de Asa Branca.

Mas enquanto o professor Astromar é na maior parte inofensivo (exceto durante a lua cheia), sua versão da vida real causou e ainda causa dano ao país.

Pois o professor Belluzzo, ainda que menos influente do que no passado, é ouvido, inclusive pela nossa presidente que, acredito, vai terminar seus oito anos de mandato com a pior taxa de crescimento da história da república.

Talvez em outras paragens, suas demonstrações quase semanais de ignorância econômica teriam-no desautorizado. Como seu debate recente com o Alexandre Schwartsman demonstrou, se o professor Belluzzo algum dia foi um comentarista bem informado e com domínio do assunto economia do setor público, não o é mais. Confunde juros nominais com juros reais e se embasbaca com uma discussão básica sobre dinâmica da dívida pública. Mas ele ouve música clássica e mostrou que o Bob Lucas falou bobagem!

Talvez em outras paragens, sua reputação não sobreviveria ter participado do fiasco do Plano Cruzado e ainda assim, desavergonhadamente, aceitar uma sinecura de secretário de estado de um governador eleito via estelionato eleitoral do Cruzado. Mas como ele escreve bem!

O Brasil profundo agoniza, mas ainda respira. Nele, fidalgos ainda se eximem de parecer corretos ou dominar o assunto que discutem, escorados pelo seu paladar refinado que distingue os melhores vinhos e música clássica.

Como sou otimista, acredito que vamos virar essa página, ainda que tardiamente. Vai ser difícil convencer os jovens de 2040 que um economista que nunca publicou em revistas internacionais e protagonizou um dos maiores desastres de política econômica da história republicana pudesse manter a relevância no debate econômico brasileiro por décadas.

Eu mesmo não acredito em Maria da Conceição Tavares.