Monday, January 18, 2016

Jogando contra?


Eu não aprecio a estratégia de debatedores que questionam as motivações dos seus rivais. Os economistas auto-definidos como de esquerda no Brasil (isto é, aqueles que acham que é ok o governo tirar dinheiro do contra-cheque do trabalhador para subsidiar a plutocracia do BNDES) têm este hábito.

Economistas não-esquerdistas (isto é, aqueles que condenam o ato do governo tirar dinheiro do contra-cheque do trabalhador para subsidiar a plutocracia do BNDES) são chamados de vários nomes interessantes. São os “esbirros do conservadorismo”, agentes motivados pelo desejo incontrolável de retornar o Brasil ao passado escravocrata, que tanto aterrorizam o caricato professor Astromar de Banânia e outros personagens menos risíveis.

Mas a generosidade tem limites e às vezes, contra meu melhor julgamento, acabo me questionando sobre a motivação de alguns participantes do debate.

Veja o que a Carta Capital colocou na boca do professor Pedro Rossi da Unicamp:

Com o pagamento das chamadas "pedaladas", o governo aumentou a liquidez dos bancos públicos e poderia destinar uma parte desses recursos à Petrobras, para alongamento de seus passivos e recomposição do seu plano de investimento.

Na semana que o preço do petróleo bateu na casa dos 30 dólares, sua ideia para a economia se recuperar é usar recursos escassos para vitaminar o plano de investimento de uma companhia que está desesperadamente tentando desinvestir porque... seu plano de investimento não é economicamente viável!

A metáfora adequada é o amigo que contata o viciado em heroína que acabou de se internar em uma clínica para desintoxicação e oferece-lhe uma linha de crédito e o número do celular do traficante.

Eu dou o benefício da dúvida ao professor. Quero acreditar que foi um comentário bem-intencionado, ainda que desinformado e infeliz. Talvez até uma citação errada. Ou apenas o professor tentando dar sua contribuição para o Brasil, sob a amarra de suas limitações.

No comments:

Post a Comment