Wednesday, February 24, 2016

Minhas previsões para 2016

- Oi, como você está? Tem acompanhado as noticias de economia do Brasil? Puxa, hoje é de doer... Estamos chegando a uma hiperinflação e em um buraco que não vivenciamos desde 1930...  

E assim nasceu a ideia de resumir meus pensamentos para 2016.

Com o fim do ciclo de alta no preço das commodities, em particular, com a queda no preço do petróleo que reduziu a viabilidade (inviabilizou?) o pré-sal, o Brasil se tornou um país mais pobre.

Isso é da vida e não é exclusivo de países exportadores de commodities. O problema é que este choque atingiu uma economia fragilizada por vulnerabilidades causadas por erros de política econômica. Durante o boom, nós perdemos a oportunidade de reduzir nossa dívida pública de verdade ou manter a inflação baixa. Assim quando a sorte secou, nós nos encontramos com inflação bem acima da meta (portanto sem espaço para cortes nos juros) e com o superávit primário corroído (portanto sem espaço para estímulo fiscal), resultando no ano horrível de 2015.

Para fazer o prognóstico para 2016, mais do que o usual, é crucial considerar o que está acontecendo no mundo da política. O governo está enfraquecido e lutando por sua sobrevivência política. É, portanto, difícil vislumbrar que as medidas de ajuste necessárias serão tomadas.

No curto prazo, vamos continuar tendo déficits primários. Sou também pessimista sobre medidas de ajuste de longo prazo como a reforma da Previdência, afinal o próprio partido da presidente joga contra. Assim, a situação fiscal deve continuar ruim ou piorar. Até mesmo medidas mínimas de caráter emergencial tendem a ser custosas demais em termos de capital político e podem ser adiadas. Analistas com boa vontade têm previsto que fechamos o ano com um déficit primário de 1,5% do PIB, mas eu considero este número um teto. Pode ser bem pior se os estados e municípios renegociarem suas dívidas com a União.

Para a inflação sou um pouco mais pessimista que o mercado. Apesar da recessão, a política salarial de indexação do salário mínimo vai manter a pressão na inflação de serviços; a desvalorização cambial é um risco de piora para o preço dos bens comercializáveis; e os problemas de certa companhia vão impedir que a queda no preço internacional dos hidrocarbonos seja repassada para o consumidor brasileiro. Para mim, está com uma cara de 9,9% (isto é, mais perto de 10% do que o mercado).

O nível de atividade ainda continua afundando. Muito do investimento nos últimos anos não vai gerar retorno por ora, devido à queda no preço das commodities metálicas e petróleo. A depreciação do real torna a economia mais competitiva e espero algum alento da demanda externa (mais exportações e menos importações). O crescimento, digo encolhimento, deve ser de mais de 3%.

Finalmente, o desemprego deve continuar subindo. Na PNAD contínua, que mede a taxa de desemprego nacional, devemos passar dos 12% com sobra – um recorde histórico. O consumidor, precavido e endividado, vai continuar a adiar compras de maior valor.

Dá para sair dessa situação?

Não vai ocorrer milagre. Então vamos ter que fazer o ajuste à nova realidade – somos mais pobres agora, pois nossa aposta não deu certo.

Se fizermos o ajuste fiscal de longo alcance (reforma da Previdência e desvinculações orçamentárias) e adotarmos uma agenda de gradual eliminação dos empecilhos para o aumento da produtividade do setor privado (em grande parte via desregulamentação, liberalização de mercados, limites à intervenção estatal, simplificação tributária e melhoria na infraestrutura), estaremos construindo um futuro melhor, ainda que os ajustes sejam doloridos no curto prazo.

Por outro lado, se adiarmos o ajuste (como fizemos na década de 70) ou se procurarmos soluções mágicas (como no Plano Cruzado), corremos o risco de mais uma década perdida.

A boa notícia é que mudanças na política podem gerar ciclos virtuosos em que a confiança de empresários e consumidores melhora, aumentando a demanda agregada, o preço dos ativos e as receitas do governo. 

Monday, February 15, 2016

Desemprego no Brasil deve passar o desemprego europeu em 2016

O desemprego no Brasil, medido pela PNAD Contínua, bateu em 9% em outubro de 2015 (link).

Este foi o mesmo número para o desemprego na União Européia (EU, média de 28 países) no mês de dezembro (link).

A trajetória, entretanto, é distinta. 

Enquanto o desemprego na Europa está em queda, o nosso sobe e segundo este humilde analista deve continuar subindo...


Quem mais precisa de humildade...